Choveu, ferrou! 

A chuva desabou no fim de semana, e por conta disso, vários guarda-chuvas e casacos com cheiro de naftalina, saíram às ruas.  O brasileiro não está acostumado com chuva. Pior ainda, os cariocas, que são totalmente desacostumados com essa baixa temperatura e chuva forte, e não sabem lhe dar com casacos, guarda-chuva, poças d’ água e engarrafamentos. Aí ferra tudo!

Hoje à caminho do trabalho, acabei rindo muito sozinho. Ao sair de casa, vi cada figura vestida de forma estranha. Umas combinações, de fazer “cegar”. As mulheres colocam casacos estampados, quadriculados ou em tons “chamativos”. Os homens com seus casacos cinza, pretos e marrons, combinam suas calças de mesclas e lã, com sapatos abotinados. E os guarda-chuvas, são um item à parte.

Ao chegar à Estação do Catamarã, me espantei com o tamanho da fila. Parecia que toda a cidade, tinha resolvido atravessar a Baía, por Charitas. A fila dava volta na estação, planejada por Niemeyer. Alías, como ele projeta uma estação hidroviária, sem uma proteção em volta? Os usuários ficam debaixo de um sol escaldante no verão e no inverno, pegam chuva e vento. Isso sem contar naquele túnel de luz roxa, azul rosa, um verdadeiro arco-iris de cor,  que nos leva até o embarque. Sinto-me entrando naqueles inferninhos de beira de estrada! Será que esbarro com Maria Machadão?

Estava eu aguardando a liberação das roletas, quando me desce de um ônibus, uma “fofolete”, vestida de Mortiça Adams! A mocinha, que não devia ter menos de trinta anos, abriu seu guarda-chuva azul e bege e o vento levou o forro embora, deixando somente as varetas. A bonita não perdeu a pose, saiu correndo de salto alto, com seus “melões” pulando na blusa preta decotadíssima, e saia preta justa e curta, que não tinha mais espaço para sua “melancia”. Ao chegar à marquise, me tira da bolsa um casacão preto e comprido. Veste e quando olho, o tal casaco não servia de nada, pois era abotoado somente na altura do peito e todo aberto com cortes em volta da cintura. 

Mais à frente encontro um jovem casal bem vestido, ele de terno e colete e ela de jeans e trench-coat, lendo no smartphone, seus emails. O embarque é autorizado e começamos a nos direcionar ao Catamarã. A chuva continua caindo e forte. O vento traz a chuva para dentro da passarela.  Todos  começam  a  abrir  seus  guarda-chuvas e o jovem casal continua andando em passos lentos, olhando algo no celular e atrasando os outros. Sinto-me um dos pingüins do filme Madagascar…

Enfim depois desses passos curtos, consigo chegar à embarcação e vejo um assento ao lado de uma senhora que  sentou no banco do meio, colocou suas três bolsas, um guarda-chuva, um casacão e um cachecol no banco da ponta e me deixou o último assento da fila! Ela finge não me ver, dá uma olhada de rabo de olho e pergunta se eu quero passar para o último banco. Eu falo “Se a senhora e suas coisas não se i incomodarem, quero me sentar no primeiro banco”. A senhorinha, nada simpática, me olha de má vontade e coloca tudo no último banco e diz que a juventude de hoje está mal educada. Eu viro e falo “Não sou mal educado. Apenas, esperei a senhora retirar suas coisas do assento, já que elas não pagam passagem e por isso, não devem viajar sentadas num banco, enquanto outros ficam de pé”.

Ela viajou emburrada.

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