Recordar é viver!

 

E vem chegando as festas de fim de ano! Hoje então tive a prova viva disso. Uma pessoa sentada próximo a mim, já estava com seus “bicos de papagaio” prateados, presos num coque! Não entendi muito bem o porquê, já que nada combinava com nada, se é que me entendem! Ela estava com sua sandália gladiadora alta, brincos de margarida, vestido preto e os arranjos natalinos no coque. Uma coisa difícil de acreditar, não?

Como vocês sabem, as festas natalinas são esperadas com ansiedade por todos nós. Eu por exemplo sou “louco” por Natal. Já o Revéillon, confesso, gosto um pouco menos. Tudo acaba em samba, suor e cerveja!  Não há nada mais gostoso do que arrumar a casa, montar o presépio, armar e decorar a árvore, preparar o cardápio e renovar a casa para essa temporada. Quem não sabe de cor aquela musiquinha de Jingle Bells? Quem já não se vestiu de Papai Noel?  Escondeu seu álbum de fotografia?

Lembro-me que quando pequeno, minha avó reunia no Dia de Ação de Graças, todos os netos, que não eram poucos, para um lanche, com o propósito de montarmos a árvore de natal. Naquela época, as árvores eram feitas em dourado ou prateado. A da casa da minha avó, era prateada, devia ter mais de um metro e oitenta e ainda ficava mais alta, pois ela colocava dentro de um vaso de barro, sim barro, tá pensando que nos anos 70, ops… Acabo de entregar a idade? Bem, nessa época, os vasos não eram de materiais e designers atuais e muito menos assinados.  Isso é coisa da nova classe dominante! Os consumistas de luxo. Presente!!

Vovó fazia um big lanche, regado a todas as guloseimas que nós adorávamos! Pudim de Leite, rabanada, brigadeiro, quindim, sorvete de chocolate, pães, geléias, Milk shake, banana split e outras coisas que me fazem delirar de saudade e lembrar que os meus triglicerídeos, hoje, gritam só de pensar! Eu não sei quanto aos outros “aparentados”, mas sei que eu, contava os dias para o próximo ano. Acho hoje, que esse encontro, era muito mais gostoso e divertido, do que o próprio dia de Natal. Nós faziamos uma bagunça naquela sala de visitas, corriamos pelo corredor, nos esparramávamos naqueles tapetes de pele, brincávamos com as pratarias, acendíamos todos os castiçais… Era bom demais!

Eu e meu irmão, erámos sempre convocados para limpar os lustres de cristal da sala. Estudávamos pela manhã e saíamos do colégio para almoçar com minha avó, e logo depois estávamos na “proibida” sala de visitas, com balde, sabão em pó, escova, polidor de metais, panos e escada, prontos para sessão faxina! Vovó ficava na escada, nos dando um a um, os filetes  de  cristal.  Depois  de  retirado,  mergulhavamos  no  balde,  faziamos  espuma,  esfregavamos com todo cuidado, depois mergulhávamos noutro balde só com água e depois íamos colocando cada filete numa toalha felpuda para secar e colocar de volta ao lustre. Antes de prendê-los, eu adorava colocar eles contra o sol e ver o arco-íris que eles  formavam.  Limpávamos um, depois o outro. Era muito gostoso. Bem, na época eu devia achar menos gostoso do que hoje, mas vai entender o “saudosismo”.

Terminada a sessão faxina, corríamos para o banho, nos arrumávamos todo e ficávamos a esperar o sinal de partida. Conforme iam chegando os outros, nós pegávamos no quarto de empregada, a árvore, laços, lampâdas e as bolas. As bolas naquela época eram feitas de vidro, então todo cuidado era pouco. Ninguem queria se cortar e acabar num Pronto Socorro.

Lógico que nada saia como planejado. Nós sempre inventávamos algo levado para fazer. Além do meu irmão, eu tinha dois primos mais velhos do que eu. Quando juntávamos os quatro, o mundo corria sério perigo. Eu, baixinho e gordinho, juntava com o mais velho e maquiavelicamente, fazíamos nossos planos ardilosos e colocávamos meu irmão e o outro primo, para executarem. Lembro-me que uma vez, nós fizemos uns arco e flecha e furamos três quadros da minha avó. O castigo? Bem, colocaram as duas mentes pensantes juntas e os dois manipulados num outro quarto. O que saiu dali, já é papo para quem sabe, outro encontro.

Ok gente, hoje sai totalmente do assunto que me comprometo semanalmente com vocês. Mas, acho que bateu o saudosismo. Vontade de almoço em família, do cheiro da casa da vovó, dos que hoje não estão mais aqui, do passado que não volta mais, da vida que continua rodando e na esperança de que o mundo de hoje, seja tão inocente e desinteressado de segundas intenções, como o que vivi no passado, não tão distante.

Desejo um Feliz Natal à todos. Mas não se esqueçam de esquecer o CD de Natal da Simone, Ok?

 

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